Entrevista com Preparador Físico Orlando Folhes

Qual sua formação acadêmica?

Professor de Educação Física – UNESA

Especialização em Fisiologia do Exercício – FAMATH e Metodologia Científica do Treinamento Desportivo – MATAZAS-Cuba

Mestre em Ciência do Desporto – UTAD-Portugal

Doutorando em Treinamento Desportivo-Portugal

Você é carioca? Qual bairro? Qual sua idade?

Carioca, residente em Botafogo, 35 anos

Diga-nos sobre o começo da sua carreira. Como inicio no mundo da luta?

Comecei a praticar judô com 5 anos na AABB-Lagoa, onde sempre participei de competições nacionais e obtive títulos estaduais e nacionais. Com 17 anos ingressei na faculdade de Educação Física interrompendo a vida de atleta. Durante a faculdade conheci a luta-olímpica (wrestling) onde comecei a praticar e retornei, no final da faculdade, para rotina competitiva onde ingressei para seleção brasileira de luta greco-romana conquistando títulos nacionais e internacionais.

A partir de que ponto você desenvolver seu trabalho de preparação física com atleta?

Ainda enquanto atleta e já professor de Educação Física, outros atletas me procuravam para que eu realizasse a preparação física para os torneios. Comecei com atletas de judô, depois fui procurado por atletas de jiu-jitsu onde obtive meus primeiros títulos mundiais como preparador físico, em seguida foram os atletas de luta-olímpica, com medalhas em jogos sul e pan americanos, além de participações em jogos olímpicos. Por fim, atletas de MMA me procuraram para que realizasse a preparação física deles para suas lutas, entre eles, atletas como José Aldo, Léo Santos, Antônio Cara de Sapato, Ketlen Vieira, Hacran Dias, Júnior Cigano, Dudu Dantas, John Teixeira entre outros.

No desenvolvimento desse trabalho, pessoas não atletas também me procuravam para que pudesse desenvolver trabalho físico direcionado, daí então, fundei o CDPD – Centro de desenvolvimento e pesquisa em desporto. Onde, além de capacitar profissionais na metodologia, recebo público atleta e não atleta em estúdios de preparação física personalizada.

O atleta de alto nível tem uma exigência muito grande no que tange o aspecto psicológico. Isso atrapalha o desenvolvimento físico, conte-nos um pouco sobre essa relevância?

O próprio treinamento já é um processo seletivo que separa o atleta do não-atleta, dividindo ainda os atletas profissionais dos amadores, os de elite dos medianos e assim por diante. Digo isso, pois o treino e a rotina de um atleta profissional é árdua, disciplinada, cheia de restrições nutricionais, sociais, físicas etc.

O atleta inevitavelmente deve estar acostumado com a dor, com frustrações e situações difíceis. A maneira como cada atleta lida com esses sentimentos influencia na motivação para treinar, comer, se relacionar etc, consequentemente, influencia a parte física. Por isso, trabalhar com equipe multidisciplinar, nesse caso específico, com psicólogo esportivo é um grande diferencial.

Existe um período mínimo para uma boa preparação?

No caso das lutas, os atletas precisam atingir um pico de rendimento, ou seja, precisam estar no melhor de sua condição física, motora, técnica, psíquica etc em uma data específica. Logo, a periodização do treino, ou seja, a forma como será planejado o treinamento deve respeitar o calendário competitivo e a partir disso é possível traçar uma expectativa de tempo para alcançar esse pico.

No caso do MMA e com os atletas com quem trabalho, definimos um máximo de 4 picos no ano. Assim, temos 3 meses (12 semanas) para programação das tarefas físicas até a data de luta.

Como saber quando um atleta chega ao momento certo da preparação?

Durante o camp de treino, coleto as respostas fisiológicas dos atletas, realizamos exames bioquímicos em conjunto com médico esportivo e avalio o desempenho através de scout nos treinos.

De acordo com a classificação atlética do atleta, temos um mínimo de respostas físicas, técnicas, tácticas, fisiológicas, motoras e bioquímicas para atingir, podendo assim ter segurança para afirmar que estamos competitivamente prontos. Esses dados nos permitem confrontar os resultados com a subjetividade dos treinadores e a própria percepção pessoal dos atletas.

Os suplementos alimentares ajudam também na preparação? Como trabalhar essa relação?

O esporte de alto rendimento hoje é definido nos detalhes. O tempo de recuperação é um desses importantes detalhes. Logo, utilizar suplementação que possa acelerar essa recuperação é um grande diferencial no processo de treinamento. Contudo, essa avaliação e prescrição é feita por profissionais que compõe um equipe.

A isometria é algo importante. Qual momento da vida profissional em que esse fator relevante vai se sobrepondo na vida profissional de um atleta?

A isometria é a capacidade de um musculo ou grupamento musculares produzirem tensão e calor sem que haja movimento. Em estudo realizado com os atletas que acompanho, confrontei a estratégia de luta (dividia em lutar em pé, lutar para derrubar e lutar no solo) com a percepção subjetiva de esforço deles. Após simulações de lutas, eu apresentava uma figura com corpo humano dividido e pedia para os atletas apontarem onde se sentiam mais fadigados. Os atletas oriundos de lutas de solo, como jiu-jitsu por exemplo, apontaram os antebraços, bíceps e deltoides como musculaturas com maior sensação de fadiga. Isso pode ser explicado por conta do tipo de estratégia adotada por eles, onde a troca de pegada e a progressão das posições com produção elevada de força isométrica eram executadas.

Já os atletas oriundos da luta em pé, como boxe e muay thai por exemplo, cujo a estratégia foi efetuar luta de percussão, apontaram as panturrilhas e o trapézio como musculatura mais fadigada. Podendo ser explicado pela necessidade de manterem a posição de luta com guarda alta e necessidade de ficarem em constante deslocamento nas pontas dos pés. Logo, no caso do MMA, a isometria é importante, contudo, o percentual de importância varia de acordo com a estratégia de luta definida pelos atletas.

A educação física junto à fisioterapia deu um salto muito importante para o rendimento do lutador. Quais a novidades de mercado sobre o aspecto do treinamento?

Todo nós seres humanos levamos nossas vidas sobre uma linha que nos orienta, podendo ser a linha da saúde, da performance ou do sedentarismo.

Hoje os recursos tecnológicos, aliado a forma como os profissionais enxergam o ser humano, antes de enxergarem o atleta como máquina, está permitindo que a linha da saúde possa se aproximar da linha da performance. Logo, a preocupação em melhores padrões motores, técnicas de avaliação, exercícios de correção e estabilização que façam o treinador visualizar musculaturas inibidas, ativadas, desvios, desarranjos etc permite, além maximizar a performance atlética, prolongar a carreira e o tempo competitivo do atleta.

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